O final de semana anterior passou como um tiro...
Foi um daqueles que eu congelaria, no sabado em Santana do Parnaíba, ouve momentos de nostalgia, como quando o Marcelinho da Back Spin argumentou que o Hip Hop é puro amor, puro sentimento de algo que pertence as nossas vidas.
Participar de uma mesa de debates ao lado de representantes como Gaspar do ZÁfrica, DJ Dandan, Beto Teoria e Derf, através do convite vindo de uma pessoa tão especial como a Giza's e ainda poder compartilhar conhecimentos e ideias com o Tom.
Relembrar passagens pela São Bento, ou mesmo comentar sobre MT Bronxs, dentre outros pioneiros, falar sobre projetos, ideias que deram certo dentro do Hip Hop...
Já no Domingo logo pela manhã, a cidade da garoa intensiva suas gotas, mas isso não me impede de seguir viagem a São José dos Campos, por lá, sinto-me satisfeita por ver que a organização feminina venceu as barreiras e as "Minas do Vale" realizaram o evento. Após ouvir depoimentos de DJ Simmone e Edd Wheeler, ainda ouvir relatos de Meire, filmar a história da DaySoul e relembrar momentos de correria na epoca em que o site Mulheres no Hip Hop era hospedado no Rap Nacional.
Esse final de semana me fez relembrar quando em 94 conheci o "Gelo" que hoje canta no Soul Rapaziada e entrei pra crew de Dança de Rua Phoenix, lembro do Zóio, Alcir Black Power e o pessoal da Red Style Crew, lembro das quermesses, das festas de rua que faziamos sem verba nenhuma, lembro das pickups gemini e quando aprendi a tocar, cheguei a fazer back-to-back e arranhar as bolachas... tempo bom, pura força de vontade...
Lembrei do Cisquinho, por onde andará... e do Marron que vivia contando suas experiencias com o Nill e MT Bronxs...
Nossa, lembro claramente quando ouvi Sharylaine cantando e Rubia inventando o Bate Cabeça... lembro da Class, do Projeto Radial, Soweto, bailes no palmeiras e a fundação da UBC...
Conheci a UJS, já fui do SINTRATEL, participei do CEDECA, pegava onibus de terminal em terminal de Pirituba á São Mateus para ensaiar com o Justiça do Rap...
Nostalgia...
... Que saudade do meu tempo de criança,
quando eu ainda era pura esperança...
...E fui crescendo rodiado pela cultura Afro Brasileira,
também sei que já fiz muita besteira,
mas nunca me desliguei, das minhas raízes,
estou sempre junto dos blacks que ainda existem...
...O tempo foi passando, eu me adaptando,
aprendendo novas gírias, me malandreando,
observando a evolução radical de meus irmãos,
percebi o direito que temos como cidadãos,
de dar importância a situação,
protestando para que achamos uma solução.
Por isso Black Power continua vivo,
só que de um jeito bem mais ofensivo,
seja dançando break, ou um DJ no scratch,
mesmo fazendo Graffiti, ou cantando RAP...
Que tempo bom, que não volta nunca mais...
